Projecto Vercial A maior base de dados sobre literatura portuguesa

Secções
Fernando Echevarría
Literatura Medieval
Literatura Clássica
Literatura Barroca
Literatura Neoclássica

Literatura Romântica
Literatura Pós-Romântica
Correntes do Século XX
Literatura Actual

Nota Introdutória
Índice de Autores
Outras Ligações

Letras & Letras
Fotos de Portugal



GEÓRGICAS

(Três poemas)


Da nossa própria noite se levanta
aquela imóvel espécie de negrura
onde tudo é possível – as galáxias,
ou pulsar nulo de galáxia alguma.
E até a expansão, a criar alta
invisibilidade. Mas que suga,
quanto o assunto for mais denso, a graça
de um maior brio de altura.
E a outra noite pela nossa canta,
não luzes de prestígio, a só penúria
que, quase instrumental, se exerce. Instaura
um dentro fora de dimensão alguma.
E é de aí que a noite se levanta
e o mundo da insistência continua.

p. 9




Tem a secura virtual do luto
a sua luz implícita.
E o ímpeto convulso
que há-de inflamar a energia
do estrépito compacto. Para o susto
percutir a dureza de faísca.
Alastra estar para eclodir o mundo.
Ou, nem nebulação de massa ainda,
essa iminência de secura e luto
condensa acaso o seu rastilho estrita.

p. 11



A luz inerte susta
o horizonte. Baixo
negrume de caruma
surpreende-se por trás do
nevão. Aonde, escura,
a mágoa afunda o pasmo.
E este o bosque. A oculta
Imensidade de halo
Que a luz inerte susta,
exígua, como o campo.

p. 106


Fernando Echevarría, Geórgicas, Porto, Afrontamento, 1998.


Voltar à página inicial de Fernando Echevarría




Pórtico | Nota Introdutória | Índice de Autores | Outras Ligações

© 1996-2012, Projecto Vercial.