MEMÓRIA DAS ESTRELAS SEM BRILHO
de José Leon Machado
Na Memória das Estrelas sem Brilho, conta-se a história de um estudante universitário que é obrigado a interromper o curso para comandar um grupo de expedicionários que o governo português em 1917 enviou para as trincheiras da Flandres. A sua trajectória e a dos homens que comanda, nas pequenas e grandes misérias de que foram vítimas e na ligação ao que deixaram e ao que perderam, resulta num retrato emocionante e autêntico de um dos períodos mais conturbados da sociedade portuguesa.
Romance de guerra, mas também romance de amor, Memória das Estrelas sem Brilho relata a tão inútil quanto obstinada busca da paz e da felicidade através de um caminho de escombros e flores cortadas, capacho do tempo e dos seus caprichos.
Afirma o crítico Milton Azevedo que, «além de seu valor literário como narrativa de ficção propriamente dita, constatável à primeira leitura, o romance tem grande interesse como retrato da sociedade portuguesa, que forma o background da narrativa. O narrador, homem de seu tempo (ou tempos) e classe social, tem uma visão tão nítida da sua sociedade quanto é possível esperar de alguém que nunca pôde sair dela para observá-la de fora. É, portanto, uma visão naïve, informada apenas por elementos colhidos dentro daquela sociedade. Mas é uma visão arguta, porque o narrador é um indivíduo inteligente e lúcido. E complementada, é claro, pela visão, indirectamente transmitida ao leitor, do Rato, que é um verdadeiro co-protagonista (e não apenas um sidekick) - um pouco, mutatis mudantis, como Sancho Pança, sem o qual o Quixote ficaria impensável.»
Título: Memória das Estrelas sem Brilho
Género: romance
Autor: José Leon Machado
Edições Vercial, 2008
Nº de páginas: 462
Tamanho: 150 mm x 230 mm
ISBN: 978-972-99038-7-8
Suporte em papel: 18,90 euros
Título: Memória das Estrelas sem BrilhoGénero: romance
Autor: José Leon Machado
Edições Vercial, 2010
Nº de páginas: 462
Tamanho: 150 mm x 230 mm
ISBN: 978-972-99038-7-8
Livro electrónico (ebook): 5,10 euros
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Recensões críticas e opiniões sobre a obra:
Além de seu valor literário como narrativa de ficção propriamente dita, constatável à primeira leitura, o romance tem grande interesse como retrato da sociedade portuguesa, que forma o background da narrativa. O narrador, homem de seu tempo (ou tempos) e classe social, tem uma visão tão nítida da sua sociedade quanto é possível esperar de alguém que nunca pôde sair dela para observá-la de fora. É, portanto, uma visão naïve, informada apenas por elementos colhidos dentro daquela sociedade. Mas é uma visão arguta, porque o narrador é um indivíduo inteligente e lúcido. E complementada, é claro, pela visão, indiretamente transmitida ao leitor, do Rato, que é um verdadeiro co-protagonista (e não apenas um sidekick) - um pouco, mutatis mudantis, como Sancho Pança, sem o qual o Quijote ficaria impensável.
Milton Azevedo, Janeiro de 2009
A obra tem um muito bom ritmo narrativo. Aguenta o leitor até ao fim, mesmo com um elevado número de páginas. Revela aturada investigação sobre a guerra, ou pelo menos a presença portuguesa nela. Eu não sabia nada daquilo além do que se lia no livrito de história na escola primária. Falava-se da batalha, mas nem se dizia que a perdemos. Eram heróis apenas. Um cenário nacional muito triste e um belo exemplo de insensatez e mau exemplo de orgulho patriótico em querer mandar tropas e apoiar os aliados sem ter calças nem botas. Excelente (mau) retrato do país. Bom entremear das estórias de vida pessoal do protagonista e personagens secundários com a narrativa da guerra. Linguagem quase depurada de metáforas, mas concisa e apropriada.
Onésimo Teotónio Almeida, Março de 2009
Considero excelente esta obra de José Leon Machado. Um trabalho que, na senda do que li anteriormente, consegue chegar mais longe na perfeição da escrita e na construção da narrativa. Escusado será dizer que esta obra não tem nada a ver com outros livros que se escrevem neste mundo, neste momento. De uma qualidade intocável a nível literário, e com a tal informação histórica precisa, que passa na narrativa, lentamente, suavemente, facilmente absorvida, resultando dessa riqueza que o leitor fique preso à história ficcional, a qual nunca se desprende da nossa própria história, enquanto país e enquanto povo.
Florbela L.S. Gomes, Outubro de 2009
La lectura de Memória das Estrelas sem Brilho ha sido una experiencia muy interesante y enriquecedora, no solo desde el punto de vista literario sino también cultural e histórico. El aspecto más interesante para mí ha sido la creación de un personaje como Luís Vasques, dotado de un comportamiento burgués, racional y honesto, pero inserto en un contexto de fanatismo e ignorancia absoluta. Luís Vasques se comporta como una persona que quiere el equilibrio, la felicidad y la justicia sin heroicismos. Este caminar por la vida se produce en un entorno patético en todos los sentidos: por la ignorancia de las personas, por la avaricia de los políticos, y por la insensatez y la estupidez de los militares. La propia debilidad del protagonista narrador dificulta su equilibrio: la novela empieza con una aventurita con la criada, una aventura no querida conscientemente, pero tampoco evitada. En todo caso, es esta contradicción, tan humana y tan real, lo que convierte en creíble una personalidad poco abundante en su época. También la búsqueda de una visión no maniqueísta de la historia por parte del narrador facilita, en mi opinión, la inclusión de un personaje con las características apuntadas más arriba. Se podría comparar con "el señorito" de Los Santos Inocentes (Miguel Delibes, 1981), y ver un contraste absoluto, ya que en esta segunda novela lo que se retrata, con un cierto realismo tremendista, es la desproporción de la injusticia sobre los criados de un cortijo, reducidos a la miseria económica y moral. En el caso de Luís Vasques no hay desprecio por las clases bajas y sí un ejercicio de "misericordia laica" en un mundo de fanatismo generalizado.
Francisco Javier Ochoa Fernández, Dezembro de 2009
Considero este livro um registo de considerável valor para o património e cultura portuguesas, e um complemento importante para o conhecimento das nossas raízes. Na Memória das Estrelas sem Brilho há mensagens que convergem na direcção de uma reflexão mais universalista sobre a natureza humana, descrita com grande franqueza e frontalidade e sob um olhar de espírito nobre. Adorei este livro, não só pela forma como está escrito, mas também pelos aspectos que salienta, pelos pormenores, pela junção da riqueza histórica com a profundidade humana que toca a todos nós, não se limitando a uma visão nacionalista, mas abrangendo uma reflexão psicológica sobre a guerra e as pessoas a um nível universal. Foi dos livros mais bonitos que já li até hoje e por isso recomendo a sua leitura.
Susana Pereira, Janeiro de 2010
Memórias das Estrelas sem Brilho, de entre muitos livros que já li, é um dos que me ficará gravado na memória. É um romance histórico de que muito gostei. Relata-nos como os políticos caem tão baixo para mostrarem grandezas que não têm. No livro há três personagens fortes: Luís, Rato e Aninhas, não pondo de lado Libaninha. Fala-nos do sofrimento humano. A guerra nada constrói, mas tudo devora. Roubou o amor de muita gente; provocou a indiferença entre as pessoas e a rejeição por parte de algumas; deu outro sentido ao caminho traçado pelas pessoas. A personagem do Sr. José Domingues (o Rato) é muito interessante. É um homem cheio de humor, com a resposta e perguntas para tudo. Dá muita graça à leitura. Devo confessar que me fartei de rir sempre que o Rato intervinha. Para mim é uma figura brilhante. Até me fez lembrar o Eça quando dá as suas ferroadas. Notei que havia naquela época uma enorme superioridade das classes mais favorecidas em relação às menos amparadas, a ponto de deixarem morrer uma criança, fruto do seu sangue. Nota-se um grande deficit de humanismo. Este é um grande livro que não terei hesitação em recomendar seja a quem for.
Ângelo Melo, Janeiro de 2011
Portugal participou na guerra de 1914-1918 em duas frentes militares, a europeia e a africana. Cerca de 55000 homens partiram de Alcântara para a Flandres onde lutaram mais de dois anos, entrincheirados, por metros ou quilómetros de terreno, em nome da Liberdade, da Justiça e do Direito. Em 1916, depois de o governo ter apressado os barcos alemães ancorados na barra do Tejo, a Alemanha declarou guerra a Portugal. O Corpo Expedicionário Português partiu em Janeiro de 1917, a maior parte sem saber o porquê desta ida, para terras estranhas da Flandres e por lá permaneceram até 1919, vivendo a guerra internacional, a guerra da república portuguesa e a guerra privada de cada um e dos grupos de camaradas em que se inseriram. Estes soldados lidaram com a dor, com o medo, indo ao encontro do desconhecido e, os que regressaram, voltaram feridos e doentes.
Na obra, A Memória das Estrelas sem Brilho, Luís Vasques é a personagem principal. O mesmo vê-se forçado a interromper os seus estudos académicos na Faculdade de Coimbra para frequentar uma Escola de Oficiais no Porto, onde fora graduado Alferes. A redução dos Cursos da Escola de Guerra e o aumento das turmas da Escola Preparatória de Oficiais Milicianos não permitia formar muitos bons oficiais, em tempo útil. Na altura, Portugal não possuía os recursos suficientes para a guerra. As fábricas nacionais não produziam armamento e munições suficientes e adequadas. Em 1917, Portugal vivia tecnologicamente no século passado e mentalmente no século XVII. Recorda-se que, na altura, Portugal era o país menos mecanizado da Europa.
Luís Vasques é um não sonhador e refere: "A Guerra, depois de a vivermos, desfaz os sonhos e as ambições"; "Não se pode falar de guerra a quem nunca a viveu", contudo, é inteligente e lúcido. Ele busca a paz e a felicidade, mas as memórias da guerra perseguem-no. Culpabiliza os republicanos pela sua gestão danosa do país, considerando os monárquicos retrógrados e bacocos. A sua alcunha é "O Infeliz". Joaquim Domingues, o Rato é o seu melhor amigo. Tinha essa alcunha, pois em miúdo era um perito no assalto à fruta. Foi seu companheiro de guerra e salvou Luís Vasques de uma tragédia, da morte. Quando ambos regressam à sua terra, esta continua na miséria. Luís Vasques termina a sua licenciatura em Direito, seguindo a advocacia. Mais tarde, casa-se com Aninhas e desse casamento têm três filhos: Afonso, o filho mais velho, Pedro e Inês, a filha mais nova. O Rato, após ter regressado de França, volta sem nenhum tostão e tudo perdera.
Este romance retrata, de uma forma apaixonante, a I Guerra Mundial. A ignorância estrangeira sobre a actuação do Corpo Expedicionário Português, nome dado à organização militar enviada para o sector português, em França, é flagrante. Tal facto deve-se a uma falta de estudo em estudar esse momento da História de Portugal.
Cristina Teixeira Pinto, Maio de 2011
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