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Diogo de Macedo: É um dos bons poetas que esmaltam o Parlamento actual. São bastantes. Se se combinassem, poderiam dar o Diário das Câmaras em quintilhas, ou redigir um lindo semanário intitulado A Lira de São Bento, 10 réis, vale a pena. E outrossim ilustrarem o periódico com veras efígies dos Isócrates em grupos e charadas e estudos sobre a língua para uso da casa. O Sr. Macedo entra no Parlamento com a fé robusta dos homens novos e com bom carcás de adjectivos lancinantes. Se tiver ocasião de os flamejar contra o Sr. Arrobas, peço-lhe que o reduza a meias onças.

Camilo Castelo Branco



ILUSÕES

Ela, que eu não julgo feia,
possui a pupila azul
e dá sempre certa ideia
das filhas de John Bull.

Os bons pintores de França
coloriram-lhe o cabelo...
Que trança de ouro! que trança
se os seios não fossem gelo!

Seduz quando se lhe vê
do colo a brancura, e enfim
tem de alvos lírios o pé
e a mão é como um jasmim.

Ninguém no mundo presuma
sonhar beldade maior;
nasceu num lençol d’espuma
depois de um sonho de amor.

É pena ter, como a face,
o seio desfeito em neve:
por mais que à porta se passe,
a sorrir jamais se atreve!

Esbanjei tempos imensos
no fervor de remirá-la,
e, apesar dos meus incensos,
nunca chegámos à fala.

Por fim mais me aproximei
Um dia pelo sol-posto,
e então com pasmo notei
que era pintura o seu rosto.

Fez-lhe o vestido a Férin
de um estofo um pouco espesso,
mas logo vi muito bem
uma boneca de gesso.

Uma boneca de sala,
inerte, desanimada,
sem luz, sem vida, sem fala,
uma boneca e mais nada!


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